23 de dez. de 2009

O gosto do vazio, do incompleto, da falta ,ecoa na ânsia do sonho que se vai...
Quando a realidade crua interrompe a cascata de justificativas que usamos prá dizer ao coração que estamos certos, o sentimento que fica é o de fracasso.
Pati K
"Saudade é nossa alma dizendo para onde ela quer voltar."
(Rubem Alves)
19 de dez. de 2009
Exorcismo
(Fernando Pinto do Amaral)
"Levanta-te, não chores.
Tens de saber que às vezes é difícil
matar o que nos mata,
ir aguçando o gume do cutelo
e movê-lo depois, logo em relâmpago,
até que o monstro seja degolado
e não fique sequer uma gota de sangue,
da cicuta voraz que lhe corria
pelas veias tão geladas, sob a pele
que terias beijado quase a medo
em busca de um sabor que fosse o fogo
e o ar e a água,
mas era só veneno adocicado,
daquele que vicia sem parecer viciar
e nos deixa sem cura a vida inteira.
Levanta-te, bem sabes,
desde o tempo dos contos infantis,
que todo o mal procura disfarçar-se
em rostos como aquele,
na perfeição volátil desse abismo
a que chamam beleza e vai ardendo
em lânguidos sorrisos e olhares
feitos de pura seda, seduzindo
espíritos como o teu,
demasiado inocentes ou perversos
para desconfiar da eternidade
ou para resistir à luz fosforescente
que, obedecendo às leis da natureza,
sempre soube atrair até à morte
o alucinado voo das borboletas.
Levanta-te, vá lá, não tenhas medo
de apertar o gatilho as vezes necessárias
para que tudo morra - os estertores
da tua alma ou do teu corpo
mesmo assim doem menos, acredita,
que o travo torvo dos piores remorsos.
E se vires que é preciso
rasgar dentro de ti, antes de serem escritos,
os mil e um poemas
que haverias de ler, talvez sem esforço,
à flor daquela face, não hesites,
porque a felicidade tem um preço
e os versos, quaisquer versos, são apenas
a memória infiel deste vento que move
as árvores lá fora enquanto é noite,
mas que às primeiras horas da manhã
deixará elevar-se um nevoeiro
tão espesso e esbranquiçado, que o amor
será nesse momento uma palavra baça
que nada te dirá, a ti ou a ninguém."

(Marguerite Yourcenar ) * O Tempo esse grande escultor*
"Não julgues. A vida é um mistério, cada um obedece a leis diferentes.
Conheces porventura a força das coisas que os conduziram, os sofrimentos e os desejos que cavaram o seu caminho? Surpreendestes porventura a voz da sua consciência a revelar-lhes em voz baixa o segredo do seu destino?
Não julgues: olha o lago puro e a água tranquila onde vêm quebrar-se as mil vagas que varrem o universo… É preciso que aconteça tudo aquilo que vês. Todas as ondas do oceano são precisas para levar ao porto o navio da verdade.
Acredita na eficácia da morte do que queres para participares do triunfo do que deve ser."
16 de set. de 2009

(Torquato da Luz)
"Não penses que tudo é simples e claro
como imaginas e por vezes dizes.
Certos dias são noites e não raro
há rostos que aparentam ser felizes
mas escondem um fundo sofrimento
que não suspeitas nem por um momento.
A vida é como é e não adianta
fingir que é outra coisa mais amena.
Mas, por detrás da máscara, a gangrena
da dor que não se vê chega a ser tanta
que o mais fácil decerto é ignorar
o outro lado e assim continuar."
29 de ago. de 2009
Contemplação

"Deixa-me contemplar-te. Apenas quero
guardar com nitidez a tua imagem
para poder depois seguir viagem
sem temer a angústia e o desespero.
Quero fixar os traços do teu rosto
no mais íntimo canto da memória
para os poder lembrar quando o desgosto
da tua ausência for a minha história.
Quero reter nos olhos as marés
de que se faz a luz do teu olhar
para poder prender-te como és
para sempre no fundo do meu mar."
22 de ago. de 2009
11 de jul. de 2009
Canção da Palavra Secreta
(Lya Luft)
"Que mão se enfia entre minhas raízes,
que paixão me esventra o coração?
Abro caminho na liberdade de uma folha,
e escrevo lentamente a palavra secreta.
E ela,
preguiçosamente,abre-me os braços
esquiva donzela ou feio palhaço.
Uma palavra apenas,no mistério maior
de uma página intacta,ou no emaranhado dos traços:
enquanto invento outros,que resumem
a verdade da vida na mentira que assino."
"Que mão se enfia entre minhas raízes,
que paixão me esventra o coração?
Abro caminho na liberdade de uma folha,
e escrevo lentamente a palavra secreta.
E ela,
preguiçosamente,abre-me os braços
esquiva donzela ou feio palhaço.
Uma palavra apenas,no mistério maior
de uma página intacta,ou no emaranhado dos traços:
enquanto invento outros,que resumem
a verdade da vida na mentira que assino."
10 de jul. de 2009
(Pablo Neruda)
"Amiga,não morras.
Ouve estas palavras que me saem ardendo,
e que ninguém diria se eu não te dissera.
Amiga não morras.
Eu sou o que te espera na estrelada noite.
O que debaixo do sangrento sol poente te espera.
Olho os frutos cair na terra sombria.
Vejo as gotas de orvalho dançando na erva.
Na noite o espesso perfume das rosas
quando dança a ronda das sombras imensas.
Sob o céu do Sul,o que te espera quando
o ar da tarde como uma boca beija.
(...)
Eu sou o que te espera na estrelada noite,
sobre as praias áureas,sobre as douradas eras.
O que cortou jacintos para o teu leito, e rosas.
Estendido entre ervas,eu sou o que te espera!"
"Amiga,não morras.
Ouve estas palavras que me saem ardendo,
e que ninguém diria se eu não te dissera.
Amiga não morras.
Eu sou o que te espera na estrelada noite.
O que debaixo do sangrento sol poente te espera.
Olho os frutos cair na terra sombria.
Vejo as gotas de orvalho dançando na erva.
Na noite o espesso perfume das rosas
quando dança a ronda das sombras imensas.
Sob o céu do Sul,o que te espera quando
o ar da tarde como uma boca beija.
(...)
Eu sou o que te espera na estrelada noite,
sobre as praias áureas,sobre as douradas eras.
O que cortou jacintos para o teu leito, e rosas.
Estendido entre ervas,eu sou o que te espera!"
one day in your life
Umas das músicas mais lindas do Michael,me faz lembrar com nostalgia uma época feliz da minha vida.
Dedico a uma pessoa especial que fez parte da minha vida.
Como diz a letra,estarei no seu coração e você lembrará,algum dia...
Dedico a uma pessoa especial que fez parte da minha vida.
Como diz a letra,estarei no seu coração e você lembrará,algum dia...
Michael Jackson
One day in your life(Música de 1975)
One day in your life
you'll remember a place
Someone's touching your face
You'll come back and you'll look around you
One day in your life
You'll remember the love you found here
You'll remember me somehow
Though you don't need me now
I will stay in your heart
And when things fall apart
You'll remember one day...
One day in your life
When you find that you're always waiting
For the love we used to share
Just call my name
And I'll be there
(Oh-oh-oh-oh-oh...)
You'll remember me somehow
Though you don't need me now
I will stay in your heart
And when things fall apart
You'll remember one day...
One day in your life
When you find that you're always longing
for the love we used to share
Just call my name
And I'll be there
(Ohh...)
******
Um dia em sua vida você lembrará de um lugar...
de alguém tocando o seu rosto
você estará de volta e olhará ao seu redor...
Algum dia em sua vida,
você lembrará do amor que você encontrou aqui
e você lembrará de mim de algum modo
e mesmo que você não precise de mim agora,
eu estarei em seu coração
e quando as coisas se desfizerem
você se lembrará ...algum dia.
Algum dia em sua vida
quando você perceber que você esteve sempre esperando
pelo amor que nós tínhamos...
basta apenas chamar meu nome
que eu estarei aí.
Você se lembrará de mim de algum modo
mesmo que você não precise de mim agora
eu estarei em seu coração e
quando as coisas se desfizerem
você se lembrará algum dia.
Algum dia em sua vida quando você perceber
que você esteve sempre ansiando
pelo amor que nós tínhamos...
Apenas chame meu nome
que eu estarei aí.
One day in your life
you'll remember a place
Someone's touching your face
You'll come back and you'll look around you
One day in your life
You'll remember the love you found here
You'll remember me somehow
Though you don't need me now
I will stay in your heart
And when things fall apart
You'll remember one day...
One day in your life
When you find that you're always waiting
For the love we used to share
Just call my name
And I'll be there
(Oh-oh-oh-oh-oh...)
You'll remember me somehow
Though you don't need me now
I will stay in your heart
And when things fall apart
You'll remember one day...
One day in your life
When you find that you're always longing
for the love we used to share
Just call my name
And I'll be there
(Ohh...)
******
Um dia em sua vida você lembrará de um lugar...
de alguém tocando o seu rosto
você estará de volta e olhará ao seu redor...
Algum dia em sua vida,
você lembrará do amor que você encontrou aqui
e você lembrará de mim de algum modo
e mesmo que você não precise de mim agora,
eu estarei em seu coração
e quando as coisas se desfizerem
você se lembrará ...algum dia.
Algum dia em sua vida
quando você perceber que você esteve sempre esperando
pelo amor que nós tínhamos...
basta apenas chamar meu nome
que eu estarei aí.
Você se lembrará de mim de algum modo
mesmo que você não precise de mim agora
eu estarei em seu coração e
quando as coisas se desfizerem
você se lembrará algum dia.
Algum dia em sua vida quando você perceber
que você esteve sempre ansiando
pelo amor que nós tínhamos...
Apenas chame meu nome
que eu estarei aí.
23 de jun. de 2009

“Trouxe o amor o seu caudal de dores,
seu longo raio estático de espinhos
e cerramos o olhar para que nada,
para que mágoa alguma nos separe.
Teus olhos não têm culpa deste pranto:
tuas mãos não cravaram esta espada:
não buscaram teus pés este caminho:
chegou a teu coração o mel sombrio.
Quando o amor como uma onda imensa
nos esmagou de encontro à pedra dura,
nos amassou como uma só farinha,
caiu a dor sobre outro doce rosto
e assim na luz dessa estação aberta
consagrou-se a ferida primavera.”
28 de mai. de 2009
Aprendizado

(Ferreira Gullar)
"Do mesmo modo que te abriste à alegria
abre-te agora ao sofrimento
que é fruto dela
e seu avesso ardente.
Do mesmo modo
que da alegria foste
ao fundo
e te perdeste nela
e te achaste
nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
e em tua carne vaporize
toda ilusão
que a vida só consome
o que a alimenta."
26 de mai. de 2009
Nunca mais

(Sophia de Melo Breyer Andresen)
"Nunca mais
caminharás nos caminhos naturais.
Nunca mais te poderás sentir
invulnerável, real e densa -
para sempre está perdido
o que mais do que tudo procuraste
a plenitude de cada presença.
E será sempre o mesmo sonho,a mesma ausência. "
***
"Nunca mais
caminharás nos caminhos naturais.
Nunca mais te poderás sentir
invulnerável, real e densa -
para sempre está perdido
o que mais do que tudo procuraste
a plenitude de cada presença.
E será sempre o mesmo sonho,a mesma ausência. "
***
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Sophia de Mello Breyner Andresen
Amargura
Saudade
25 de mai. de 2009
Da solidão

(Cecilia Meireles)
“Estarei só.
Não por separada, não por evadida.
Pela natureza de ser só.
(...)
Solidão - dizia: fechava a tarde de mil portas,
andava por essas fortalezas da noite,
como escadas, essas plataformas, essas pedras...
E deitava-se sobre o mar, sobre as florestas,
deitava-me assim - aldeias? cidades?
O sono é um límpido deserto - deitava-me nos ares
onde quer que estivesse deitada.
Deitava-me nessas asas.
Ia para outras solidões.
Se me chamares, responderei, mas serei solidão.
Serei solidão, se me esqueceres ou lembrares.
Qualquer coisa que sintas por mim, eu te retribuirei:
como o eco.
Mas é tu que vens e voltas:
a tua solidão e a minha solidão.”
Quarto poema da cega

(Lya Luft)
"Dizem que há veleiros no mar, e posso ouvir
o seu rastro de vozes quando o vento é forte.
Abro as mãos em flor,e jogo dentro deles
cada esperança antiga que me oprime,
cada sonho inútil que me embala.
Sigo seu roteiro claro e tranqüilo,
levando vidas,risos e destinos,
deixando um bálsamo de fresca espuma
na chaga destas pálpebras inúteis
que me prendem,sem asas e sem horizonte,
a esta pedra de onde vai me libertar a morte. "
"Dizem que há veleiros no mar, e posso ouvir
o seu rastro de vozes quando o vento é forte.
Abro as mãos em flor,e jogo dentro deles
cada esperança antiga que me oprime,
cada sonho inútil que me embala.
Sigo seu roteiro claro e tranqüilo,
levando vidas,risos e destinos,
deixando um bálsamo de fresca espuma
na chaga destas pálpebras inúteis
que me prendem,sem asas e sem horizonte,
a esta pedra de onde vai me libertar a morte. "
22 de mai. de 2009
20 de mai. de 2009
Mar demais

(Lya Luft)
“O mar das nossas viagens
divide horizonte e cais,
e nos dois lados acena
a opção de ir ou ficar.
Quem navega, não pensa
em perda nem permanência:
só busca o caminho das ondas
e do ar.
O mar da esperança é fundo,
quem nele navega é rei:
pois se estrelas são miragem
entre cais e horizonte,cada viagem
chega mais perto da fonte:
isso não pode se medir nem
mudar.”
19 de mai. de 2009
18 de mai. de 2009
Seda

O toque familiar
de seda do teu olhar
despertou demônios,
contidos à custo
na loucura do meu sonhar.
Te acompanhei
sem hesitar
sem temer
sem questionar
amando te beijar
sonhando acreditar
que tu eras meu enfim,
sem mais nada almejar.
Eu e tu,desejo ardente
nós dois apaixonados,
em rumo ignorado
ditado pelo delirio
do amor alucinado.
O fim,no meio ,
quem sabe...
amargo despertar,
ruínas a lamentar
e sonhos a sepultar.
Pati K
Esta tirei do baú-novembro / 2007
Jardim Perfumado

Quando te encontrei
em um dia quase esquecido
o sonho do amor contigo sonhei.
(Um jardim florido e perfumado ele me deu.)
“Lembra-te de que estou ao teu lado,
de que teu perfume está em mim,
de que te amo e que tu estás comigo”.
(independente da distância,sempre).
Liberta da dor,
calei e chorei.Murmurei teu nome,
com ânsia busquei teu calor,
o passado enterrei e
de novo, sonhei.
em um dia quase esquecido
o sonho do amor contigo sonhei.
(Um jardim florido e perfumado ele me deu.)
“Lembra-te de que estou ao teu lado,
de que teu perfume está em mim,
de que te amo e que tu estás comigo”.
(independente da distância,sempre).
Liberta da dor,
calei e chorei.Murmurei teu nome,
com ânsia busquei teu calor,
o passado enterrei e
de novo, sonhei.
Pati K (julho de 2008)
17 de mai. de 2009
Palavras...

(Eduardo Aleixo)
" Palavras gravadas na pedra e oferecidas ao vento do amor,palavras com cheiro de pele, de sangue, de suor, de dor, de riso e de esperança, embrulhadas como prendas e levadas no bico dos pássaros, palavras leves,beijos de água, que servem para lavar as mágoas, palavras aladas,luminosas, musicais, que se reportam ao percurso da alma..."
*
16 de mai. de 2009
insônia

(...)a insônia inquieta revolve sem piedade pesadelos amargos na noite fria
não deixa esquecer as mágoas requentadas dos dias vividos
inertes e vazios de ti (onde o vazio não tem cura).
O silêncio pesado da noite úmida trás conforto
um conforto fugaz que dura o tempo da memória te buscar no labirinto do passado
enchendo o que resta da madrugada com ecos de lembranças tristes
que choram escorrendo em lágrimas de desengano .
..............
O teu silêncio e o meu grito de dor se estendem numa noite sem fim.
Pati K
não deixa esquecer as mágoas requentadas dos dias vividos
inertes e vazios de ti (onde o vazio não tem cura).
O silêncio pesado da noite úmida trás conforto
um conforto fugaz que dura o tempo da memória te buscar no labirinto do passado
enchendo o que resta da madrugada com ecos de lembranças tristes
que choram escorrendo em lágrimas de desengano .
..............
O teu silêncio e o meu grito de dor se estendem numa noite sem fim.
Pati K
(maio 2009)
4 de mai. de 2009

(Maria do Rosário Pedreira)
"Sei a nuvem de cinza que turva o
oceano, a sombra que desfigura a
minha mão vazia. Sei as paisagens
que um dia se deitaram entre nós
para sempre adormecidas. Sinto
a dor estendida sobre a memória
do teu corpo na cama que ficou
aberta como uma ferida. E, sem
razão, repito a todo o instante nos
meus lábios cansados esse nome
que ainda me falta em quase tudo."
em *Nenhum Nome Depois*
3 de mai. de 2009

(Maria do Rosário Pedreira)
"Escrevo o teu nome e um pássaro levanta-se da terra -
sobre o seu voo contariam os teus olhos mil histórias
que eu escutaria com o mesmo silêncio admirado
com que na boca cai um beijo ou a noite atira o amor
para cima das camas. Mas o lápis rola subitamente
sobre a mesa e pára a sepultar as palavras que nunca
te direi - porque o rio não regressa à cidade que primeiro
beijou, nem o navio ruma jamais ao porto que o viu largar."
em *O Canto do Vento nos Ciprestes*
"Escrevo o teu nome e um pássaro levanta-se da terra -
sobre o seu voo contariam os teus olhos mil histórias
que eu escutaria com o mesmo silêncio admirado
com que na boca cai um beijo ou a noite atira o amor
para cima das camas. Mas o lápis rola subitamente
sobre a mesa e pára a sepultar as palavras que nunca
te direi - porque o rio não regressa à cidade que primeiro
beijou, nem o navio ruma jamais ao porto que o viu largar."
em *O Canto do Vento nos Ciprestes*
30 de abr. de 2009
23 de abr. de 2009
Vazio
Expressão

(Graça Pires)
"Dentro da curva inesperada
dos meus braços
transbordam os gestos
numa espiral imperceptível.
Nas pontas dos meus dedos
se alonga a neblina
que deriva do inverso da loucura
quando prendo nos dentes
a superstição da lua
ou esboço no riso
a cumplicidade dos espelhos
timidamente transparentes
para dizer que só pelo silêncio
se vence o labirinto das palavras
e se mede a solidão."
"Dentro da curva inesperada
dos meus braços
transbordam os gestos
numa espiral imperceptível.
Nas pontas dos meus dedos
se alonga a neblina
que deriva do inverso da loucura
quando prendo nos dentes
a superstição da lua
ou esboço no riso
a cumplicidade dos espelhos
timidamente transparentes
para dizer que só pelo silêncio
se vence o labirinto das palavras
e se mede a solidão."
22 de abr. de 2009
Onde quer que o encontres
em *Nenhum Nome Depois*
"Onde quer que o encontres -
escrito, rasgado ou desenhado:
na areia, no papel, na casca de
uma árvore, na pele de um muro
no ar que atravessar de repente
a tua voz, na terra apodrecida
sobre o meu corpo - é teu,
para sempre, o meu nome. "
"Onde quer que o encontres -
escrito, rasgado ou desenhado:
na areia, no papel, na casca de
uma árvore, na pele de um muro
no ar que atravessar de repente
a tua voz, na terra apodrecida
sobre o meu corpo - é teu,
para sempre, o meu nome. "
14 de abr. de 2009
13 de abr. de 2009
Um Amor
Fotógrafo:Carlos Silva


(Nuno Júdice)
"Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão,
puxaste-me para os teus olhos
transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua,
ainda apanhámos o crepúsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar diferente
inundava a cidade.
Sentei-me nos degraus do cais, em silêncio.
Lembro-me do som dos teus passos,
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando a praça
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,
o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali,
continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha
essa doente sensação que
me deixaste como amada
recordação. "
"Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão,
puxaste-me para os teus olhos
transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua,
ainda apanhámos o crepúsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar diferente
inundava a cidade.
Sentei-me nos degraus do cais, em silêncio.
Lembro-me do som dos teus passos,
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando a praça
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,
o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali,
continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha
essa doente sensação que
me deixaste como amada
recordação. "
2 de abr. de 2009
Dança Lenta
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