28 de mai de 2009

Aprendizado


(Ferreira Gullar)

"Do mesmo modo que te abriste à alegria
abre-te agora ao sofrimento
que é fruto dela
e seu avesso ardente.
Do mesmo modo
que da alegria foste
ao fundo
e te perdeste nela
e te achaste
nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
e em tua carne vaporize
toda ilusão
que a vida só consome
o que a alimenta."

uma foto que gosto

Foto:Marco Coelho

Após a chuvarada...


26 de mai de 2009

Nunca mais


(Sophia de Melo Breyer Andresen)

"Nunca mais
caminharás nos caminhos naturais.
Nunca mais te poderás sentir
invulnerável, real e densa -
para sempre está perdido
o que mais do que tudo procuraste
a plenitude de cada presença.
E será sempre o mesmo sonho,a mesma ausência. "

***


Amargura


Não esqueço.
A ferida que causaste sangra impiedosa,escorre em rancor mal disfarçado me impedindo de chegar à luz do sol.
Pati K

Saudade


(Vicente de Carvalho)

"Belos amores perdidos,
Muito fiz eu com perder-vos;
Deixar-vos sim; esquecer-vos
Fora demais, não o fiz.

Tudo se arranca do seio,
- Amor, desejo, esperança...
Só não se arranca a lembrança
De quando se foi feliz."
"Em nada me pesa ou em mim dura o escrúpulo da hora presente. Tenho fome da extensão do tempo, e quero ser eu sem condições."

(Fernando Pessoa)
em o Livro do Desassossego

25 de mai de 2009

The Argenteuil Bridge and the Seine
Tela - Gustave Cailllebote /Pintor impressionista/1848-1894

Da solidão


(Cecilia Meireles)


“Estarei só.
Não por separada, não por evadida.
Pela natureza de ser só.

(...)

Solidão - dizia: fechava a tarde de mil portas,
andava por essas fortalezas da noite,
como escadas, essas plataformas, essas pedras...
E deitava-se sobre o mar, sobre as florestas,
deitava-me assim - aldeias? cidades?
O sono é um límpido deserto - deitava-me nos ares
onde quer que estivesse deitada.
Deitava-me nessas asas.
Ia para outras solidões.
Se me chamares, responderei, mas serei solidão.
Serei solidão, se me esqueceres ou lembrares.
Qualquer coisa que sintas por mim, eu te retribuirei:
como o eco.
Mas é tu que vens e voltas:
a tua solidão e a minha solidão.”

Quarto poema da cega


(Lya Luft)

"Dizem que há veleiros no mar, e posso ouvir
o seu rastro de vozes quando o vento é forte.
Abro as mãos em flor,e jogo dentro deles
cada esperança antiga que me oprime,
cada sonho inútil que me embala.
Sigo seu roteiro claro e tranqüilo,
levando vidas,risos e destinos,
deixando um bálsamo de fresca espuma
na chaga destas pálpebras inúteis
que me prendem,sem asas e sem horizonte,
a esta pedra de onde vai me libertar a morte.
"

22 de mai de 2009

duas fotos lindas-lembranças

Caminho para o mar -RS


Janela para o leste -RS

20 de mai de 2009

Mar demais

Foto: Steve Winter

(Lya Luft)

“O mar das nossas viagens
divide horizonte e cais,
e nos dois lados acena
a opção de ir ou ficar.
Quem navega, não pensa
em perda nem permanência:
só busca o caminho das ondas
e do ar.

O mar da esperança é fundo,
quem nele navega é rei:
pois se estrelas são miragem
entre cais e horizonte,cada viagem
chega mais perto da fonte:
isso não pode se medir nem
mudar.”

19 de mai de 2009

Tela -Mary Cassat


Deixo-te ir(quando te quero)

e espero

que o doce despertar da madrugada

leve embora

o gosto amargo da demora.


Pati K
maio/2009

uma foto linda




Fotógrafa: Eudora Porto

duas fotos que gosto-lembranças

Passagem azul - Diamantina/MG
Passando na passagem




18 de mai de 2009

Seda



O toque familiar
de seda do teu olhar
despertou demônios,
contidos à custo
na loucura do meu sonhar.
Te acompanhei
sem hesitar
sem temer
sem questionar
amando te beijar
sonhando acreditar
que tu eras meu enfim,
sem mais nada almejar.

Eu e tu,desejo ardente
nós dois apaixonados,
em rumo ignorado
ditado pelo delirio
do amor alucinado.

O fim,no meio ,
quem sabe...
amargo despertar,
ruínas a lamentar
e sonhos a sepultar.

Pati K


Esta tirei do baú-novembro / 2007

Jardim Perfumado


Quando te encontrei
em um dia quase esquecido
o sonho do amor contigo sonhei.
(Um jardim florido e perfumado ele me deu.)
“Lembra-te de que estou ao teu lado,
de que teu perfume está em mim,
de que te amo e que tu estás comigo”.
(independente da distância,sempre).
Liberta da dor,
calei e chorei.Murmurei teu nome,
com ânsia busquei teu calor,
o passado enterrei e
de novo, sonhei.


Pati K (julho de 2008)

17 de mai de 2009

uma foto que gosto-lembranças


Esplendor ao sol da primavera/Interior RS


(Daniel Sant'Iago)

"nega que
é certa a morte
nega que
a água mata
nega que
a fome vive
*
nega tudo
*
não negues jamais que te amo" .

Palavras...

***

(Eduardo Aleixo)

" Palavras gravadas na pedra e oferecidas ao vento do amor,palavras com cheiro de pele, de sangue, de suor, de dor, de riso e de esperança, embrulhadas como prendas e levadas no bico dos pássaros, palavras leves,beijos de água, que servem para lavar as mágoas, palavras aladas,luminosas, musicais, que se reportam ao percurso da alma..."
*

16 de mai de 2009

insônia





(...)a insônia inquieta revolve sem piedade pesadelos amargos na noite fria
não deixa esquecer as mágoas requentadas dos dias vividos
inertes e vazios de ti (onde o vazio não tem cura).
O silêncio pesado da noite úmida trás conforto
um conforto fugaz que dura o tempo da memória te buscar no labirinto do passado
enchendo o que resta da madrugada com ecos de lembranças tristes
que choram escorrendo em lágrimas de desengano .
..............
O teu silêncio e o meu grito de dor se estendem numa noite sem fim.

Pati K
(maio 2009)

4 de mai de 2009

uma foto linda

Foto:Fardaxto


(Maria do Rosário Pedreira)

"Sei a nuvem de cinza que turva o
oceano, a sombra que desfigura a
minha mão vazia. Sei as paisagens
que um dia se deitaram entre nós
para sempre adormecidas. Sinto


a dor estendida sobre a memória
do teu corpo na cama que ficou
aberta como uma ferida. E, sem
razão, repito a todo o instante nos
meus lábios cansados esse nome
que ainda me falta em quase tudo."

em *Nenhum Nome Depois*

uma foto que gosto-lembranças

O verde e o azul RS

3 de mai de 2009




(Maria do Rosário Pedreira)

"Escrevo o teu nome e um pássaro levanta-se da terra -
sobre o seu voo contariam os teus olhos mil histórias
que eu escutaria com o mesmo silêncio admirado
com que na boca cai um beijo ou a noite atira o amor
para cima das camas. Mas o lápis rola subitamente

sobre a mesa e pára a sepultar as palavras que nunca
te direi - porque o rio não regressa à cidade que primeiro
beijou, nem o navio ruma jamais ao porto que o viu largar."

em *O Canto do Vento nos Ciprestes*

“Conquistei, palmo a pequeno palmo, o terreno interior que nascera meu. Reclamei, espaço a pequeno espaço, o pântano em que me quedara nulo. Pari meu ser infinito, mas tirei-me a ferros de mim mesmo. “

(Fernando Pessoa) * O Livro do Desassossego*