23 de jun de 2009

(Pablo Neruda)

“Trouxe o amor o seu caudal de dores,
seu longo raio estático de espinhos
e cerramos o olhar para que nada,
para que mágoa alguma nos separe.
Teus olhos não têm culpa deste pranto:
tuas mãos não cravaram esta espada:
não buscaram teus pés este caminho:
chegou a teu coração o mel sombrio.
Quando o amor como uma onda imensa
nos esmagou de encontro à pedra dura,
nos amassou como uma só farinha,
caiu a dor sobre outro doce rosto
e assim na luz dessa estação aberta
consagrou-se a ferida primavera.”


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