29 de set de 2008

(Joaquim Pessoa)

"...Quem ao menos me dera
um punhal que arrancasse de vez esta dor.
Pelas costas do medo. Pelo ventre da espera.
Meu amor quem me dera
um punhal pelo menos.
Ou então uma flor.

No silêncio da espera.

No silêncio da espera
ficaremos de cera.
Perderemos a cor.

Se embarcarmos no sonho
numa nave de pedra
numa onda perdida
no silêncio da espera
num silêncio medonho
perderemos a vida...."
"A verdadeira ternura
não se confunde com mais nada.
E é silêncio."
( Anna Akhmátova )

uma foto que gosto-lembranças


Explosão de cores /RS

25 de set de 2008

uma foto que gosto


Fotógrafo:Nuno Sacramento

Nua



Fotógrafa:Mariah


Sou objeto.
Estou vazia de sentidos, nua e sem coragem. Queria poder pegar de volta o coração que me roubaste e jogar ao longe, lá no céu infinito, onde ele mergulhasse na claridade protegida dos anjos e nunca mais fosse roubado. Meu corpo quer gritar tua ausência urgente de saudade, meu olhar vago corta o vazio te buscando nos cantos familiares da casa inerte, sem acreditar que foste prá não mais voltar. Eu percorri todos os caminhos clamando tua presença e chorei ao saber-te resoluto e distante. Quero puxar o universo que nos separa , fazendo dele a ponte para unir dois mundos distintos, quero teu querer que me faz inteira e viva de novo. Quero sentir o conforto de saber-me tua e só sinto o medo de saber-me nada. Procurei-te em frases já ditas, em explicações repetidas, em desculpas sussurradas, procurei-te nos meus sonhos perdidos e depois revividos, procurei-te em versos declamados e só vi o feio esgar da agonia. A dor que me atinge em ondas carrega o que resta em mim de sanidade. Esvaída,sofrida e semi-morta, esmagada pela tua renúncia .

Quando abrires os olhos,eu não estarei aqui.
Ou estarei...
Pati K



Primavera



Uma homenagem a nossa linda primavera(que tarda uns dias por eu estar com a mente cheia de outras coisas.)




(Cecilia Meireles)

....Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.


Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

24 de set de 2008

(Joaquim Pessoa)

Levantou-se a manhã nos meus cabelos
Como se fosse um pássaro em viagem.
E eu estendi as mãos para tocá-los
Não sei se por amor se por coragem.

Então dormiram estrelas no meu leito,
Então domei corcéis de solidão.
Por ti rasguei estradas sobre o peito
Para poder chegar ao coração.

Noite escura


Fotógrafa:Mariah


O murmúrio da chuva,descendo suave...
Caindo,pingando,molhando de sons
A noite escura ,abandonada.

Ao longe,o relógio da igreja...
batendo as horas soltas da madrugada,
marcando o tempo,chorando lamentos,
na cidade calada.

Uma lágrima triste,sofrida,encolhida,
Procura um soluço,querendo cair,
Buscando o alívio do seu tormento
No choro que não vem.
Somente o suspiro.E a chuva.


A noite escura é cheia de sons.
É suave...
a passar no roteiro sem fim
das noites insones.
Pati K

23 de set de 2008

Ecos



Fotógrafa:Mariah

Palavras vazias na noite escura,
vozes de sonho,
ecoam,
levando murmúrios em ondas surdas
que me prendem triste
ao tempo que só existe
em amargas memórias.
A noite?
Se arrasta,carrega consigo
o silêncio dos mortos
e a fraqueza dos vivos.
Pati K

uma foto linda


Fotógrafo:Zé Bicho

Queda Livre

(Lya Luft)

Bem que eu queria dormir,
mas isso que não esqueço
me chama a noite inteira,
sem nome e sem piedade.

Se abro os olhos, eu caio
no esquecimento.Se durmo,
apagam-se as esperanças
- e não me sobra mais nada.

Devo largar minhas perdas
que ficaram na soleira
entre o passado e o recomeço?
Sempre que me levanto
eu perco um novo pedaço:
ouço os cacos rolando
a noite toda na escada.

21 de set de 2008

Aviso



Lya Luft

Se me quiseres amar,
terá de ser agora:depois
estarei cansada.
Minha vida foi feita de parceria com a morte:
pertenço um pouco a cada uma,
prá mim sobrou quase nada.

Ponho a máscara do dia,
um rosto cômodo e simples,
e assim garanto a minha sobrevida.

Se me quiseres amar,
terá de ser hoje:
amanhã estarei mudada.






"Nas lutas habituais, não exija a educação do companheiro.
Demonstre a sua.Nas tarefas do bem, não aguarde colaboração.
Colabore, por sua vez, antes de tudo.
Nos trabalhos comuns, não clame pelo esforço alheio.
Mostre sua boa-vontade.Nos serviços de compreensão, não peça para que seu vizinho suba até a você. Aprenda a descer até ele e ajude-o.
No desempenho dos deveres cristãos,
não aguarde recursos externos para cumpri-los.
O melhor patrimônio que você pode dar às boas obras é o seu próprio coração.
No trato vulgar da vida, não espere que seu irmão revele qualidades excelentes.
Expresse os dons elevados que você já possui.
Em toda criatura terrestre, há luz e sombra.
Destaque sua nobreza para que a nobreza do próximo venha ao seu encontro."

ANDRÉ LUIZ