7 de abr de 2008

Canção para um desencontro






(Lya Luft)

“O amado é um estranho reino onde entro como invasora,e alguma vez,
errando o passo,sem querer provoco um tumulto,desarrumo tudo,
deixo sinais de tempestade e inquietação.”


Deixa-me errar alguma vez,
porque também sou isso:incerta e dura,
ansiosa de não te perder
e frágil.
Deixa-me errar,e me compreende
porque se te faço mal é por querer-te,
desta maneira tola,cada dia
perdida feito criança nos teus territórios
e nessa escadaria da tua alma.

Deixa-me errar, e não me soltes,
para que eu não me enrede
nos sustos desse amor,
onde ainda espreitam o segredo,
a esperança
e um gosto inesperado de magia.

(Lya Luft)


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Esta é prá ti,longe que estás ,no mundo das ilusões...prá ti que não existe senão no meu pensamento,e esta sou eu,a que erra,a que ama,a que te busca e não te acha,porque tu és sonho e nada mais.

3 comentários:

Sonia Regly disse...

sempre venho aqui nesse cantinho chique e impecável.Apareça lá no Compartilhando as Letras, têm postagem nova.Beijinhos.

Sonia Regly disse...

Cada dia mais interessante e de visual novo.Gosto de vir aqui!!!!

José Rodrigues (JR.) disse...

obrigado por ter aceitado o meu convite e visitado o Experimentado Versos e, é claro, por ter colocado o link do blog em seus "blgos amigos", o mesmo fiz com o seu blog. Fico muito feliz por ver uma poesia que experimentei em seu espaço. Quanto ao amor, poderiamos ficar horas e horas a discutir inumeras questões sobre o mesmo, mas as pessoas, não todas, em nossa sociedade estão cada dia menos dispostas a pensar, a refletir e, sobretudo, a pensar o que estão fazendo com as suas vidas. O que nós vamos fazer com nós mesmos? como podemos nos tornar atores principais de nossas próprias historias de vida? como podemos criar linhas de fuga e potencializar na vida a sua capacidade de criação e invensão do novo e do diferente? questões... A discussão sobre o amor entra nesse cenário onde vivemos na medida em que amar se tornou algo estranho, ou melhor, as relações, os laços socais que antes uniam as pessoas agora parecem afasta-las; é um individualismo flagrante, uma solidão que não encontra meios de exprimir-se a não ser atraves de depressões e atos compulsivos. Não acho que o amor esteja em extinsão, mas antes, que o verbo amar vem sendo conjugado de outras maneiras; pois, o que está em jogo quando falamos em amor é, sobretudo, a nossa capacidade de amar e deixar-nos ser amados. Será que aprendemos a amar de outra forma ou nos esquecemos que o amor , assim como as flores e as poesias, deve ser cultivado? Por representar o amor uma gama de sentimentos intensos e ao mesmo tempo contraditórios, ele possui uma certa caracteristica revolucionaria, consternadora, provocadora. o amor é um sentimento que desestabiliza ao mesmo tempo em que constroi, que deflagra tantos outros sentimentos e que dar-nos força para ir além... se assim for, ele representa tudo, ou quase tudo, que a lógica de nossa soceidade vem excluindo atraves de seus mecanismos de poder. Um sentimento que nos provoca, nos revoluciona, nos transforma em seres diferentes, fugindo/escapando nas normas instituidas, não pode mesmo ser cultivado por nossa sociedade. Cria-se então a representação de um amor esteril, neutro, frio, superficial no qual as pessoas se entrelaçam, mas logo ele se esvai, porque ele não foi feito para durar, mas para trazer uma falsa sensação de alegria e completude. O amor das intensidades e da criação fica guardado entre as linhas de livros, entre os versos de poetas, esperando que alguem o leia e se lembre do que o mesmo foi um dia.

um abraço,