29 de mar. de 2009

Desânimo

Percebi que na vida há pessoas com sabedoria suficiente para olhar o outro com sensibilidade e humildade... para compreendê-las e perdoá-las e há outras para quem a sabedoria é um pedestal de altivez que incapacita esta compreensão.
Percebi que as pessoas se voltam para o seu próprio mundo,incapazes de estender a mão para quem está ao seu lado,incapazes de enxergar quem está próximo.
Percebi que as pessoas procuram desenfreadas satisfazer aos seus desejos e esquecem de satisfazer a fome de afeto de quem participa de suas vidas.
Assim como percebi que tem pessoas que são lindas pela sua capacidade de amar e de entender o outro,mas que têm q fazer escolhas e estas escolhas acabam por machucar o objeto do seu amor.
Ah,e tem as que precisam de tanto amor que se lançam em uma busca desesperada,seja um amor –amigo-irmão ou –paixão,não importa o tipo de amor,ele nunca será encontrado, porque o vazio dentro delas nunca estará completo/satisfeito/lacrado enquanto suas próprias lacunas(as delas) não forem preenchidas.
O ser humano continua sendo falho e imperfeito,continua errando,continua sofrendo e fazendo sofrer.

É... todos choram, mesmo às gargalhadas.

Eu tenho pensado muito em como as pessoas convivem,se dizem amigas e no fundo,ninguém é amigo de ninguém,todo mundo só pensa em si mesmo,nos seus problemas,nas suas vidas,nas suas carências...muito poucos realmente OLHAM para o lado e ENXERGAM quem está ali ou se dispõem a estender a mão,oferecer um ombro,uma palavra,um gesto,um telefonema,um email perguntando como vc está...isto aqui é um mundo FRIO,como a vida o é.


Pati K

27 de mar. de 2009

O Silêncio



(Manuel Bandeira-1886-1968)



Na sombra cúmplice do quarto,
Ao contacto das minhas mãos lentas
A substância da tua carne
Era a mesma que a do silêncio.

Do silêncio musical, cheio
De sentido místico e grave,
Ferindo a alma de um enleio
Mortalmente agudo e suave.

Ah, tão suave e tão agudo!
Parecia que a morte vinha…
Era o silêncio que diz tudo
O que a intuição mal advinha.

É o silêncio da tua carne.
da tua carne de âmbar, nua,
Quase a espiritualizar-se
Na aspiração de mais ternura.


Adultos


Trecho do poeta russo Maiakóvski

(...)"Nos demais - eu sei,
qualquer um o sabe -
O coração tem domicílio
no peito.
Comigo
a anatomia ficou louca.
Sou todo coração "(...)



23 de mar. de 2009

Os amores

(Martha Medeiros)

"Os amores não têm sido eternos nem infinitos enquanto duram, até porque não duram. São rápidos flashes de entusiasmo,são apostas, são ensaios, são tentativas,são experiências para constar do currículo pessoal de cada um.Parecem mais fugas do que encontros.Amores quase perversos em sua instantaneidade, em sua fragilidade, em seu medo. Medo de quê? Sei lá, de vingarem: vá que dê certo. Melhor fazer a fila andar, já que não é fácil administrar um amor. Porém, mais difícil ainda é viver sem ele,e lá se vão todos em busca de beijos a granel e realizações automáticas de desejos, tudo muito aflito, sem norte, sem calma. Onde estão as grandes e verdadeiras paixões?”


Ainda bem que o texto de Martha confirma o que eu sinto e me faz perceber que não sou a única a me incomodar com os amores no mundo de hoje.
A superficialidade faz parte de uma maioria conformista sim,mas alguns conseguem escapar desta saída rasteira.


Pati K



22 de mar. de 2009

Minhas férias,minhas fotos
















Estou de volta,depois de um tempo fora,em férias,descansando de várias coisas.
Retomarei ,como puder e quando puder as postagens aqui.
Agradeço o carinho dos amigos q me procuraram...não os esqueço.

Li uma frase de Clarice Lispector numa das comunidades dela hoje que me resume e me tocou tanto q resolvi postar aqui num momento de desnudamento da alma.
“Eu só sei ser íntima”.

E vou explicar esse ser íntima.
Eu não sou uma pessoa fácil de cair de paixão por alguém(ou de ser tocada pela atração,como queiram) ,eu me resguardo, porque é o meu jeito desde sempre, sempre foi.
Li um comentário no blog da Paula Pfeifer uns dias atrás sobre algo parecido que falava que nós tínhamos o direito de poder sentir atração por alguém e se não sentíssemos,adeus. E concordo plenamente.Hoje em em dia parece q todo mundo se força a sentir algo pelo outro,só para sentir algo,só para não ficar sozinho,perdido num mundo vazio de valores e regras...e me desculpe,isso é coisa de gente mal resolvida. Eu só quero quem me faz sentir algo muuuuito bom,algo irresistível( se não deu pra perceber,estou falando de envolvimento aqui e não de amizades).Mulher é mais seletiva? talvez seja,talvez não,EU sou. Se não existe atração ,adeus,não me forço a sentir tesão de qualquer tipo por ninguém.Neste sentido é q só me entrego se sinto algo mágico e irresistível por alguém...e é neste sentido q só sei ser íntima. Tive poucas paixões e nenhum amor sem graça,o sem graça não me atrai.
Não entro em nada prá recuar,só prá ir adiante, destemida, destemperada,impulsiva e sem medo.
Ariana pura.

Pati K

17 de fev. de 2009


(Clarice Lispector)

"...Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. " "...Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda..." "...É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele..."
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16 de fev. de 2009


Agradeço a indicação para o selo que recebi através do Blog Perfume de Coração,de Paulo Moreira.

15 de fev. de 2009

"A poesia é sempre uma surpresa, capaz de nos tirar a respiração por alguns momentos.
Ela deve permanecer em nossas vidas como o pôr-do-sol:
Algo milagroso e natural ao mesmo tempo. "(J. Keats)

*****

Seguindo o Amor


(Khalil Gibran)

"Quando o amor acenar,
siga-o
ainda que por caminhos ásperos e íngremes.
E quando suas asas o envolverem, renda-se a ele
Ainda que a lâmina escondida sob suas asas possa feri-lo.
E quando ele falar a você, acredite no que ele diz,
Ainda que sua voz possa destroçar seus sonhos,
Assim como o vento norte devasta o jardim.
Pois, se o amor coroa, ele também o crucifica.
Se o ajuda a crescer, também o diminui.
Se o faz subir às alturas e acaricia
seus ramos mais tenros que tremem ao Sol,
também o faz descer às raízes e abala sua ligação com a terra.
Como os feixes de trigo, ele o mantém íntegro.
Debulha-o até deixá-lo nu.
Transforma-o, livrando-o de sua palha.
Tritura-o, até torná-lo branco.
Amassa-o, até deixá-lo macio e, então, submeta-o
ao fogo para que se transforme em pão, no banquete sagrado de Deus.
Todas essas coisas pode o amor fazer
para que você conheça os segredos de seu coração e,
com esse conhecimento,
se torne um fragmento do coração da VIDA."

4 de fev. de 2009

Sonho com um Jardim


(Rubem Alves)
O Retorno Eterno


...Mas não era bem isto que eu queria. Queria o jardim dos meus sonhos, aquele que existia dentro de mim como saudade. O que eu buscava não era a estética dos espaços de fora; era a poética dos espaços de dentro. Eu queria fazer ressuscitar o encanto de jardins passados, de felicidades perdidas, de alegrias já idas. Em busca do tempo perdido… Uma pessoa, comentando este meu jeito de ser, escreveu: “Coitado do Rubem! Ficou melancólico. Dele não mais se pode esperar coisa alguma…” Não entendeu. Pois melancolia é justamente o oposto: ficar chorando as alegrias perdidas, num luto permanente, sem a esperança de que elas possam ser de novo criadas. Aceitar como palavra final o veredicto da realidade, do terreno baldio, do deserto. Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade. Mais do que isto: é compreender que a felicidade só voltará quando a realidade for transformada pelo sonho, quando o sonho se transformar em realidade. Entendem agora por que um paisagista seria inútil? Para fazer o meu jardim ele teria que ser capaz de sonhar os meus sonhos…
(...)Este pequeno poema de Cecília Meireles me encanta, é o resumo de uma cosmologia, uma teologia condensada, a revelação do nosso lugar e do nosso destino:

“No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,e,

no jardim, um canteiro:
no canteiro, uma violeta,e,

sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,

a asa de urna borboleta.”

Metáfora: somos a borboleta. Nosso mundo, destino, um jardim.
Resumo de uma utopia. Programa para uma política. Pois política é isto: a arte da jardinagem aplicada ao mundo inteiro. Todo político deveria ser jardineiro. Ou, quem sabe, o contrário: todo jardineiro deveria ser político. Pois existe apenas um programa político digno de consideração. E ele pode ser resumido nas palavras de Bachelard: “O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso.”

29 de jan. de 2009

uma foto linda

Fotógrafo:Airam-Xu


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A sede de amor que paira na alma não tem fim,a busca não se esgota.Somente ao completar o vazio, o descanso vem junto com a paz.

Metade



(Oswaldo Montenegro)

Que a força do medo que tenho

Não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste,
que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

28 de jan. de 2009

Aprendizado




(Ferreira Gullar)


Do mesmo modo que te abriste à alegria

abre-te agora ao sofrimento

que é fruto dela

e seu avesso ardente.

Do mesmo modo

que da alegria foste

ao fundo

e te perdeste nela

e te achaste

nessa perda

deixa que a dor se exerça agora

sem mentiras

nem desculpas

e em tua carne vaporize

toda ilusão

que a vida só consome

o que a alimenta.

10 de jan. de 2009

Desventura




Foto:Joaquim D'Almeida

(Cecilia Meireles)
"Tu és como o rosto das rosas:
diferente em cada pétala.

Onde estava o teu perfume? Ninguém soube.
Teu lábio sorriu para todos os ventos
e o mundo inteiro ficou feliz.

Eu, só eu, encontrei a gota de orvalho que te alimentava,
como um segredo que cai do sonho.
Depois, abri as mãos, — e perdeu-se.

Agora, creio que vou morrer."

5 de jan. de 2009

Entre os teus lábios

Tela de Van Gogh
(Eugênio de Andrade)

"Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.

30 de dez. de 2008

Desilusão

A esperança ...
se foi,
como água arrastada no rio
poeira levada ao vento
papel rasgado ao meio.

Palavras e promessas
vazias,ecos da
tua fraqueza indigna
ecos de um amor de mentira,
restos
de uma paixão.


Pati K

29 de dez. de 2008

uma foto linda



Fotógrafa:Mariah

Não pude ser

(Neide Archanjo)


Não pude ser
o teu amor perfeito
antes esta ferida.
Por isso para ti
não serei a pele
— poro a poro teu alumbramento —

serei apenas a cicatriz.

Perfeita
.

O Grito

(Antônio Cícero)


Estou acorrentado a este penhasco
logo eu que roubei o fogo dos céus.
Há muito tempo sei que este penhasco
não existe, como tampouco há um deus
a me punir, mas sigo acorrentado.
Aguardam-me amplos caminhos no mar
e urbes formigantes a sonhar
cruzamentos febris e inopinados.
Você diz “claro” e recomenda um amigo
que parcela pacotes de excursões.
Abutres devoram-me as decisões
e uma ponta do fígado mas digo
E daí? Dia desses com um só grito
eu estraçalho todos os grilhões.

11 de nov. de 2008


Fotógrafa: Maria José Amorim



(CLarice Lispector)

“Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como plenitude.
Faça com que eu seja a tua amante humilde,
entrelaçada a ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de te amar,
sem odiar as tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.”

3 de nov. de 2008

Escolha

Fotógrafa:Mariah



(Lya Luft)

Apesar do medo
escolho a ousadia.
Ao conforto das algemas,
prefiro a dura liberdade.
Vôo com meu par de asas tortas,
sem o tédio da comprovação.

Opto pela loucura, com um grão
de realidade:
meu ímpeto explode o ponto,
arqueia a linha, traça contornos
para os romper.

Desculpem, mas devo dizer:
eu quero o delírio.

14 de out. de 2008

A Caricia Perdida

(Alfonsina Storni ) Tradução de Carlos Seabra

Sai-me dos dedos a carícia sem causa,
Sai-me dos dedos...
No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá?
Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará... andará...
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena
Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.
Se não vês essa mão, nem essa boca que beija,
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?

2 de out. de 2008

uma foto linda



Fotógrafo:Carlos Santos

O sol nas noites e o luar nos dias

(Natália Correia)

"De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.


E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.


Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.


Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem."

29 de set. de 2008

(Joaquim Pessoa)

"...Quem ao menos me dera
um punhal que arrancasse de vez esta dor.
Pelas costas do medo. Pelo ventre da espera.
Meu amor quem me dera
um punhal pelo menos.
Ou então uma flor.

No silêncio da espera.

No silêncio da espera
ficaremos de cera.
Perderemos a cor.

Se embarcarmos no sonho
numa nave de pedra
numa onda perdida
no silêncio da espera
num silêncio medonho
perderemos a vida...."
"A verdadeira ternura
não se confunde com mais nada.
E é silêncio."
( Anna Akhmátova )

uma foto que gosto-lembranças


Explosão de cores /RS

25 de set. de 2008

uma foto que gosto


Fotógrafo:Nuno Sacramento

Nua



Fotógrafa:Mariah


Sou objeto.
Estou vazia de sentidos, nua e sem coragem. Queria poder pegar de volta o coração que me roubaste e jogar ao longe, lá no céu infinito, onde ele mergulhasse na claridade protegida dos anjos e nunca mais fosse roubado. Meu corpo quer gritar tua ausência urgente de saudade, meu olhar vago corta o vazio te buscando nos cantos familiares da casa inerte, sem acreditar que foste prá não mais voltar. Eu percorri todos os caminhos clamando tua presença e chorei ao saber-te resoluto e distante. Quero puxar o universo que nos separa , fazendo dele a ponte para unir dois mundos distintos, quero teu querer que me faz inteira e viva de novo. Quero sentir o conforto de saber-me tua e só sinto o medo de saber-me nada. Procurei-te em frases já ditas, em explicações repetidas, em desculpas sussurradas, procurei-te nos meus sonhos perdidos e depois revividos, procurei-te em versos declamados e só vi o feio esgar da agonia. A dor que me atinge em ondas carrega o que resta em mim de sanidade. Esvaída,sofrida e semi-morta, esmagada pela tua renúncia .

Quando abrires os olhos,eu não estarei aqui.
Ou estarei...
Pati K