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1 de jul. de 2010

Sobre almas gêmeas...

“Os ventos do tempo trazem-te momentos de solitude. O horizonte é

vasto, nenhum deserto é verdadeiramente árido, é apenas uma

travessia. Vocês dois já partilharam muitos desertos. Tu lembras-te da

confiança que havia entre os dois, ele nasceu nesta vida para resgatar a

confiança. A vida trocou-vos as voltas muitas vezes. Não foste tu quem o

traiu,essa travessia do deserto é só dele. Neste momento, o vosso

caminho afasta-vos.E tu lembras muito a confiança que vos uniu. Ele

nasceu sem essa paz,é natural que sofras. Vocês têm peças diferentes do

quebra-cabeças. A saudade só existe quando alimentas sentimentos de perda,de não

poderes viver o companheirismo que tiveste com ele parece-te uma

perda. Tens crescido tanto só por saberes da existência do outro.

Vocês são peças do MESMO quebra-cabeças. A vossa incapacidade de entendimento

no plano físico não é nenhum acaso.O que vos une é mais forte.

A tua necessidade de resolver a saudade está a ensinar-te a crescer para

Dentro,para o teu centro, estão ambos a caminhar na profundidade.

Cada um ao seu ritmo,cada um para o quê está preparado. Para

fazeres o que tens de fazer, sem sofrimento, estás a aprender a encontrar

os teus caminhos interiores e estamos todos a aprender contigo.

Não faz parte do processo dele entender o teu, só aceitar. O amor que vos

une é mais profundo que esta vida, faz parte da vossa essência, daí

existir, independente das vossas ações e da vossa capacidade de

entendimento. Por vezes têm interpretado, racionalizado, essa energia

em função dos vossos sonhos. Puras ilusões,também isso vai desvanecer.

Não há mais pactos, só sonhos. Tu tens saudade de um companheirismo

que ainda não é possível. As fronteiras que separam a experiência física

da consciência da alma sempre foram mais tênues em ti e, por isso, vês o

mundo de uma forma que o mundo ainda não está preparado para viver.

Confia no tempo.”

*Mestres angélicos de Ana Eugênio*

29 de jun. de 2010


(Iberê Camargo) *1940 *do livro Gaveta dos Guardados.

“Quando eu estiver deitado na planície,indiferente às cores e às formas,tu deves te lembrar de mim. Aí ,onde a planície ondula, a terra é mais fértil.Abre com a concha da tua mão uma pequenina cova e esconde nela a semente de uma árvore. Eu quero nascer nesta árvore,quero subir com os seus galhos até o beijo da luz.Depois ,nos dias abrasados,tu virás procurar a sua sombra,que será fresca para ti. Então no murmúrio das folhas eu te direi o que meu pobre coração de homem não soube dizer.”

15 de fev. de 2009

Seguindo o Amor


(Khalil Gibran)

"Quando o amor acenar,
siga-o
ainda que por caminhos ásperos e íngremes.
E quando suas asas o envolverem, renda-se a ele
Ainda que a lâmina escondida sob suas asas possa feri-lo.
E quando ele falar a você, acredite no que ele diz,
Ainda que sua voz possa destroçar seus sonhos,
Assim como o vento norte devasta o jardim.
Pois, se o amor coroa, ele também o crucifica.
Se o ajuda a crescer, também o diminui.
Se o faz subir às alturas e acaricia
seus ramos mais tenros que tremem ao Sol,
também o faz descer às raízes e abala sua ligação com a terra.
Como os feixes de trigo, ele o mantém íntegro.
Debulha-o até deixá-lo nu.
Transforma-o, livrando-o de sua palha.
Tritura-o, até torná-lo branco.
Amassa-o, até deixá-lo macio e, então, submeta-o
ao fogo para que se transforme em pão, no banquete sagrado de Deus.
Todas essas coisas pode o amor fazer
para que você conheça os segredos de seu coração e,
com esse conhecimento,
se torne um fragmento do coração da VIDA."

4 de fev. de 2009

Sonho com um Jardim


(Rubem Alves)
O Retorno Eterno


...Mas não era bem isto que eu queria. Queria o jardim dos meus sonhos, aquele que existia dentro de mim como saudade. O que eu buscava não era a estética dos espaços de fora; era a poética dos espaços de dentro. Eu queria fazer ressuscitar o encanto de jardins passados, de felicidades perdidas, de alegrias já idas. Em busca do tempo perdido… Uma pessoa, comentando este meu jeito de ser, escreveu: “Coitado do Rubem! Ficou melancólico. Dele não mais se pode esperar coisa alguma…” Não entendeu. Pois melancolia é justamente o oposto: ficar chorando as alegrias perdidas, num luto permanente, sem a esperança de que elas possam ser de novo criadas. Aceitar como palavra final o veredicto da realidade, do terreno baldio, do deserto. Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade. Mais do que isto: é compreender que a felicidade só voltará quando a realidade for transformada pelo sonho, quando o sonho se transformar em realidade. Entendem agora por que um paisagista seria inútil? Para fazer o meu jardim ele teria que ser capaz de sonhar os meus sonhos…
(...)Este pequeno poema de Cecília Meireles me encanta, é o resumo de uma cosmologia, uma teologia condensada, a revelação do nosso lugar e do nosso destino:

“No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,e,

no jardim, um canteiro:
no canteiro, uma violeta,e,

sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,

a asa de urna borboleta.”

Metáfora: somos a borboleta. Nosso mundo, destino, um jardim.
Resumo de uma utopia. Programa para uma política. Pois política é isto: a arte da jardinagem aplicada ao mundo inteiro. Todo político deveria ser jardineiro. Ou, quem sabe, o contrário: todo jardineiro deveria ser político. Pois existe apenas um programa político digno de consideração. E ele pode ser resumido nas palavras de Bachelard: “O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso.”

29 de jan. de 2009

Metade



(Oswaldo Montenegro)

Que a força do medo que tenho

Não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste,
que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

29 de dez. de 2008

O Grito

(Antônio Cícero)


Estou acorrentado a este penhasco
logo eu que roubei o fogo dos céus.
Há muito tempo sei que este penhasco
não existe, como tampouco há um deus
a me punir, mas sigo acorrentado.
Aguardam-me amplos caminhos no mar
e urbes formigantes a sonhar
cruzamentos febris e inopinados.
Você diz “claro” e recomenda um amigo
que parcela pacotes de excursões.
Abutres devoram-me as decisões
e uma ponta do fígado mas digo
E daí? Dia desses com um só grito
eu estraçalho todos os grilhões.

25 de set. de 2008

Primavera



Uma homenagem a nossa linda primavera(que tarda uns dias por eu estar com a mente cheia de outras coisas.)




(Cecilia Meireles)

....Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.


Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

28 de jun. de 2008

Corpo Adentro

(Marina Colasanti)

Teu corpo é canoa em que desço
vida abaixo morte acima
procurando o naufrágio
me entregando à deriva.
Teu corpo é casulo de infinitas sedas
onde fio me afio e enfio
invasor recebido com licores.
Teu corpo é pele exata
para o meu pena de garça
brilho de romã
aurora boreal do longo inverno.

13 de jun. de 2008

Decifra-me


Não venha me falar de razão,
Não me cobre lógica,
Não me peça coerência,
Eu sou pura emoção.
Tenho razões e motivações próprias,
Sou movido por paixão,
Essa é minha religião e minha ciência.
Não meça meus sentimentos,
Nem tente compará-los a nada,
Deles sei eu,
Eu e meus fantasmas,
Eu e meus medos,
Eu e minha alma.
Sua incerteza me fere,
Mas não me mata.
Suas dúvidas me açoitam,
Mas não deixam cicatrizes.
Não me fale de nuvens,
Eu sou Sol e Lua,
Não conte as poças,
Eu sou mar,
Profundo, intenso, passional.
Não exija prazos e datas,
Eu sou eterno e atemporal.
Não imponha condições,
Eu sou absolutamente incondicional.
Não espere explicações,
Não as tenho, apenas aconteço,
Sem hora, local ou ordem.
Vivo em cada molécula,
Sou o todo e sou uno,
Você não me vê,
Mas me sente.
Estou tanto na sua solidão,
Quanto no meu sorriso.
Vive-se por mim,
Morre-se por mim,
Sobrevive-se sem mim.
Eu sou começo e fim,
E todo o meio.
Sou seu objetivo,
Sua razão que a razão
Ignora e desconhece.
Tenho milhões de definições,
Todas certas,
Todas imperfeitas,
Todas lógicas apenas
Em motivações pessoais,
Todas corretas,
Todas erradas.
Sou tudo,
Sem mim,
tudo é nada.
Sou amanhecer,
Sou Fênix,
Renasço das cinzas,
Sei quando tenho que morrer,
Sei que sempre irei renascer.
Sei quando tenho que morrer,
Sei que sempre irei renascer.
Mudo o protagonista,
Nunca a história.
Mudo de cenário,
Mas não de roteiro.
Sou música,
Ecôo, reverbero, sacudo.
Sou fogo,
Queimo, destruo, incinero.
Sou água,
Afogo, inundo, invado.
Sou tempo,
Sem medidas, sem marcações.
Sou clima,
Proporcional a minha fase.
Sou vento,
Arrasto, balanço, carrego.
Sou furacão,
Destruo, devasto, arraso.
Mas sou tijolo,
Construo, recomeço...
Sou cada estação,
No seu apogeu e glória.
Sou seu problema
E sua solução.
Sou seu veneno
E seu antídoto
Sou sua memória
E seu esquecimento.
Eu sou seu reino, seu altar
E seu trono.
Sou sua prisão,
Sou seu abandono e
Sou sua liberdade.
Sua luz,
Sua escuridão
E seu desejo de ambas,
Velo seu sono...
Poderia continuar me descrevendo
Mas já te dei uma idéia do que sou.
Muito prazer, tenho vários nomes,
Mas aqui, na sua terra,
Chamam-me de AMOR.

Autor Desconhecido

26 de abr. de 2008

Poema Do Amor

Henriqueta Lisboa – do livro: Prisioneira da Noite (1935 – 1939)

Penso: agora serei feliz
pois ao meu lado está o Amor.
Sob a terra escondo a raiz,
árvore a rebentar em flor.

Feliz como o campo de trigo
que após a chuva se aqueceu.

Enfim o Amor está comigo,
de coração unido ao meu!

Contudo, agonias estranhas,
estranhas amarguras trago-
ascaladamente nas entranhas,
como um lago de fundas águas.

Tua presença – arco triunfal -
cobre-me a vida de esplendor.
E eu sei que não há dor nem mal
que atinja a presença do Amor.

Porém se teus olhos profundos
seguem como barcos à vela
o roteiro de novos mundos,
que distância se me revela!

Se despiedoso ou distraído
quebra de nossos dedos o elo,
- pássaro que tomba ferido,
nas minhas mãos morre este anelo.

Se teu carinho promissor
pela manhã se me anuncia,
pressentindo de sol-pôr
enubla o cristal de alegria.

Teu silêncio é trama de espinhos
em que se laceram meus véus.
Tua voz – espuma de vinhos
que te embriagaram noutros céus.

Nesta paixão que nos separa
quanto mais no que une a aparência,
sofro – minha volúpia rara!
-toda a nostalgia da ausência.

Amor – espada de dois gumes,
cada qual mais frio e mais forte:
se a vida está no que resumes,
és o caminho para a morte.

23 de abr. de 2008

Velha Canção

(Menotti Del Picchia)

Não penses que não te espero
na aparente indiferença.
Esta fingida descrença
só disfarça desespero.

Se a falsa máscara fria
pudesse quebrar esta ânsia
saberias que a constância
é meu pão de cada dia.

Um pudor duro e severo
esperar desesperado
é o que nutre este pecado
de querer como te quero.

Destarte - tímido louco -
não ouso sondar tua alma
e nesta insofrida calma
dia a dia morro um pouco.

22 de abr. de 2008

Para viver






(José Emir)

Para viver eu preciso
de um cantinho,
um bom vinho,
de um bom prato,
de um sorriso,
um carinho,
de um abraço,um afeto,
ter meus filhos por perto.

Para viver eu preciso
do contato,do impacto,
do riso,do pranto,
da ilusão,sonho,encanto,
ida,volta ,reencontro.
Para viver
eu preciso que você...
Se dissolva por um tempo
dê um tempo e me solte,
vá embora,mas não
se revolte
porque para viver
eu preciso,
é fundamental
que você volte.

16 de abr. de 2008

A Dor a Mais

Foto:Samuel Sevada
(Vinicius de Morais/Francis Hime)

Foi só muito amor,
Muito amor demais.
Foi tanta paixão
Que o meu coração, amor,
Nem soube mais.
Inventei a dor
E como ela nos doeu.

Ah, que solidão,
Buscar perdão no corpo teu.
Tanto tempo faz,
Tens um novo amor eu sei,
Mas nunca terás
A dor a mais como eu te dei.
Porque a dor a mais,
Só na paixão
Como eu te amei.
*********************************
Ah,Vinícius prá falar de amor...

6 de abr. de 2008

Versos molhados em um papel seco



(José Rodrigues)


Os pingos da chuva caem,passam,

E me levam junto com eles

No chão nos encontramos em pedaços

Mas tão perto um do outro.


Vejo a chuva a cair

Pela janela aberta do meu quarto

E escrevo algum poema,pois assim acho

É uma forma de ir junto com os pingos dágua,

mesmo q isto signifique fazer versos molhados

E depois colocá-los num papel seco.
***********************************
Esta e outras poesias tive o prazer de ler no blog do José Rodrigues,
um poeta jovem e de muito talento,que veio me visitar e me surpreendeu
com um texto interessante sobre o amor.
Deixo o endereço do blog para quem se interessar: http://experimentandoversos.blogspot.com

3 de abr. de 2008

Eu te amo porque te amo


(Carlos Drummond de Andrade)


Eu te amo porque te amo.

Não precisas ser amante,

e nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça

e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,

é semeado no vento,

na cachoeira, no elipse.

Amor foge a dicionários

e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo

bastante ou demais a mim.

Porque amor não se troca,

não se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,

feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,

e da morte vencedor,

por mais que o matem

(e matam)a cada instante de amor.

1 de abr. de 2008

Palavras de Amor

(Joan Manuel Serrat)
Ela que eu amei tanto...
já nao a tenho agora.
Ficou no meu passado
como um livro fechado.
Ela, como hei de dizer,
era todo o meu mundo então,
quando no ar soavam
tantas palavras de amor.
Palavras de amor sentidas e tenras
não sabiamos mais, tinhamos quinze anos.
Não havia tempo até para aprender
porque despertávamos dos sonhos de infância.
Não havia mais que três frases feitas
que ambos aprendemos de antigos atores.
Histórias de amores, sonhos de poeta,
não sabiamos mais, tinhamos quinze anos.
Ela, quem sabe talvez,
ela quem sabe onde pára.
Será que eu outra vez
voltarei a encontrá-la?
Porém julgo ouvir a sua voz
De longe me trás uma canção.
Velhas notas, velhos sons,
velhas palavras de amor.

9 de mar. de 2008

Dê-me tua mão agora


Rivkah Cohen

Não é amanhã
quando tiver tempo,
não é daqui a pouco
quando talvez nem alcance mais...
Preciso dela agora!
Agora que meu coração chora
e não estou me sentindo capaz!

8 de mar. de 2008

Mulher

(Arnaldo Jabor )

Ainda nos meus tempos de graduação em jornalismo na Uerj, fui assistir a uma palestra do fotógrafo André Arruda, que foi do JB, Globo e trabalhava, entre outras coisas, com moda. Em determinado momento da palestra ele relatava a sua experiência em fotografar nu artístico e soltou a seguinte frase: "para fotografar nu feminino é preciso gostar de mulher". Eu sorri, porque na minha cabeça aquilo parecia meio óbvio, mas antes que qualquer um fizesse algum comentário ele completou: Não se trata de gostar de mulher no sentido sexual, ter tesão por mulher nua, essas coisas. Isso pode ter também. Mas se trata de gostar de mulher em um sentido mais profundo. Gostar do universo feminino. Observar que cada calcinha é única, tem uma rendinha diferente e ficar entretido com isso, afirmou. O fato é que eu concordo com o conceito do Arruda sobre gostar de mulher. Não basta ser heterossexual. Para gostar de verdade de uma mulher são necessários outros requisitos que são raros. Por isso a mulherada anda tão insatisfeita. Sensibilidade é fundamental. Paciência também. O homem que não tem paciência para escutar a necessidade que a mulher tem de falar, ou sensibilidade para cativá-la a cada dia, não gosta de mulher. Pode gostar de sexo com mulher. O que é bem diferente. Gostar de mulher é ir além, é penetrar em seu universo, se deliciar com o modo com que ela conta todo o seu dia, minuto por minuto, quando chega do trabalho. Ficar admirando seu corpo, ser um verdadeiro devoto do corpo feminino, as curvas, o cabelo, seios. Mas também cultuar a sagacidade feminina, sua intuição, admirar seu sorriso que é muito mais espontâneo que o nosso. Gostar de mulher é querer fazer a mulher feliz. Levar flores no trabalho sem nenhum motivo a não ser o de ver seu sorriso. É escutar pacientemente todas as queixas da chefe rabugenta, que provavelmente é assim porque seu homem não gosta de mulher.
O homem que gosta de mulher não está preocupado em quantas mulheres ele comeu durante a vida, mas sim com a qualidade do sexo que teve. Quantas mulheres ele realizou sexualmente, fazendo-as se sentirem desejadas, amadas, únicas, deusas, na cama e na vida. O homem que gosta de mulher não come mulher. Ele penetra não só no corpo mas na alma, respirando, sentindo,amando cada pedacinho do corpo, e, é claro, da personalidade. "Para viver um grande amor é necessário ser de sua dama por inteiro", afirmou Vinícius de Moraes no poema; Para viver um grande amor. Para amar verdadeiramente uma mulher o homem deve ser totalmente fiel, traí-la, jamais. Amá-la até a raiz dos cabelos. Admirá-la, se deixar apaixonar todo dia pelo seu sorriso ao despertar e principalmente conquistá-la, seduzi-la, como se fosse à primeira vez. O homem que não tem paciência, nem tesão, nem competência para lhe seduzir várias e várias vezes, esse, minha amiga, não se iluda, não gosta nem um pouco de mulher. Conquistar o corpo e a alma de uma mulher é algo tão gratificante, que tem que ser tentado várias vezes. Só que alguns homens, os que não gostam de mulher, querem conquistar várias mulheres. Os que gostam de mulher, são aqueles que conquistam várias vezes a mesma mulher.E isso nos gratifica, nos fortalece e nos dá uma nova dimensão.
A dimensão da poesia, do amor e em última instância do impenetrável universo feminino. Mas atenção amigos que gostam de mulher: gostar de mulher e penetrar em seu universo, não é torná-las cativas, e sim libertá-las, admirá-las em sua insuperável liberdade. Uma das músicas com que mais me identifico é uma em inglês, É a Have you really loved a woman. É do cantor Bryan Adams. A música foi tema do filme Don Juan de Marco, e em uma tradução livre quer dizer "você já amou realmente uma mulher?". Em toda a música o cantor fala sobre a necessidade de se conhecer os pensamentos femininos, sonhos, dá-la apoio, para amar realmente uma mulher. Essa música é perfeita. Como se vê, gostar de comer mulher é fácil. Agora gostar de mulher é dificílimo. Precisa ser macho de verdade para isso. Quem se habilita?
******************


Pode existir homenagem melhor às mulheres do que essas palavras do genial Jabor?
Quem dera todos os homens pensassem assim...

5 de mar. de 2008

Antes de partir

Martha Medeiros) Coluna de ZH de hj.

"Um filme cujos protagonistas são Jack Nicholson e Morgan Freeman, com diálogos bem construídos e um humor inteligente (mesmo tratando de um assunto difícil como a finitude da vida) já entra em cartaz com vantagem, mesmo que o roteiro não seja lá muito surpreendente. Antes de Partir não é mesmo surpreendente, mas isso também pode ser uma coisa boa. Ficamos sempre correndo atrás de fórmulas novas quando deveríamos nos dedicar mais a reforçar certas verdades. E a verdade do filme, se pudesse ser resumida numa frase, seria: aproveite o tempo que lhe resta. Nada que você já não tenha escutado mil vezes. Nicholson e Freeman interpretam dois sessentões que descobrem estar com uma doença terminal. Os prognósticos apontam seis meses de vida para cada um, no máximo um ano. E agora? Esperar a extrema-unção numa cama de hospital ou buscar a extrema excitação?Sem piscar, eles aventuram-se pelo mundo praticando esportes radicais, conhecendo lugares exóticos, desfrutando todos os prazeres de uma vida bem vivida - claro que um deles é milionário e banca tudo, detalhe que nos falta na hora de pensar em fazer o mesmo. Você não pensa em fazer o mesmo? Você, eu e mais 6 bilhões de homens e mulheres também estamos com a sentença decretada, só não sabemos o dia e a hora. Está certo que é morbidez pensar sobre isso quando se é muito moço, mas alcançando uma certa maturidade, já dá pra parar de se iludir com a vida eterna, amém. Com dinheiro ou sem dinheiro, faça valer a sua passagem por aqui. Não sei se você percebeu, mas viver é nossa única opção real. Antes de nascermos, era o nada. Depois, virá mais uma infinidade de nada. Essa merrequinha de tempo entre dois nadas é um presentaço. Não seja maluco de desperdiçar. Ok, quantos de nós podem sair amanhã para um safári na África, para um tour pelas pirâmides do Egito, para um jantar num restaurante cinco estrelas na França? Ou teria coragem de saltar de pára-quedas e pisar fundo num carro de corrida numa pista em Indianápolis? Se não temos grana nem dublês, então que a gente se divirta com outro tipo de emoção, que o filme, aliás, também recomenda.Reconheçamos o básico: uma vida sem amigos é uma vida vazia. O mundo é muito maior que a sala e a cozinha do nosso apartamento. A arte proporciona um sem-número de viagens essenciais para o espírito. Amar é disparado a coisa mais importante que existe. Que mais? Desmediocrize sua vida. Procure seus "desaparecidos", resgate seus afetos. Aprenda com quem tiver algo a ensinar, e ensine algo àqueles que estão engessados em suas teses de certo e errado. Troque experiências, troque risadas, troque carícias. Não é preciso chegar num momento limite para se dar conta disso. O enfrentamento das pequenas mortes que nos acontecem em vida já é o empurrão necessário. Morremos um pouco todos os dias, e todos os dias devemos procurar um final bonito antes de partir.

28 de fev. de 2008

Texto lindo,não sei a autoria


(...)"Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar a alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas entradas no hoje, porque o amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
(...) E aprende que não importa o quanto você se importe; algumas pessoas não se importam. E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa; ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas alguns segundos para destruí­-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo apesar de longas distâncias. E que o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a famí­lia que nos permite escolher. Aprende que só temos que mudar de amigos se compreendermos que os amigos mudam; percebe que o seu melhor amigo e vocês podem fazer alguma coisa, ou nada, e ter bons momentos juntos.
(...) Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que você pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa aonde já chegou, mas onde está indo; mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexí­vel não significa ser fraco ou não ter responsabilidade, pois não importa quão delicada seja uma situação, sempre existem dois lados.
(...) Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens; poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando se está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de seu cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém; algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se. Aprende que, com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido; o mundo não pára pra que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar, que realmente é forte e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida.Nossas dádivas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderí­amos conquistar, se não fosse o medo de tentar. "